História da farmácia | Drogas americanas

A matéria médica americana foi desconhecida na Europa atá à viagem de Cristóvão Colombo. Por esse motivo, os espanhóis tinham como objetivo atingir a Ásia e utilizar as drogas orientais naquele que era o comércio europeu. Há, assim, duas fases diferenciadas na introdução das drogas americanas na Medicina europeia:

  • Primeira fase, no Século XVI: dominada pela introdução de drogas com semelhanças com as drogas orientais, sendo que muitas correspondiam a outras espécies do mesmo género. É nesta altura que são introduzidas, por exemplo, as drogas destinadas à cura da sífilis. Esta associação corresponde à ideia galénica de que as doenças que se desenvolviam em determinado clima seriam mais eficazmente combatidas com drogas provenientes do mesmo clima[1].
  • Segunda fase, no Século XVII: as drogas americanas mais singulares e que, por essa mesma razão, mais impacto teriam na Medicina europeia só foram introduzidas no século XVII.

 

Personalidades importantes nas drogas americanas

Nicolás Monardes (c. 1512-1588)

Este foi o primeiro médico europeu, natural de Sevilha, a introduzir as drogas americanas na literatura especializada. Monardes é comparado, naquilo que concerne à matéria médica americana, ao português Garcia de Orta.

Publicou a obra “Dos libros… cosas de nuestras Indias Occidentales que sirven al uso de Medicina (1565)”, que foi rapidamente traduzida para outros idiomas.

Ao longo das páginas deste livro, descreveu as propriedades de várias drogas americanas, tais como:

  • Árvores dos bálsamos do Peru e Tolu: uma árvore da família das leguminosas, cuja subfamília é a papilionoídea
  • Canafístul: uma árvore decídua a semidecídua, com florescimento decorativo e muito utilizada na arborização urbana na América do Sul[2]
  • Coca: o autor descreve a planta da coca pela primeira vez
  • Guaiaco: plantas americanas do género Guaiacum, da família das Zigofiláceas, que inclui árvores de madeira dura e muito impermeável
  • Jalapa[3]: Ipomoea purga é a planta cujas folhas cordiformes e flores brancas ou rosadas fornecem a resina de jalapa
  • Sassafrás: sassafras albidum é uma espécie do género Sassafras, uma árvore nativa do leste da América do Norte
  • Tabaco: Monardes descobriu cerca de 20 patologias diferentes que a planta do tabaco poderia tratar[4].

 

Francisco Hernandez de Toledo (1514-1587)

Francisco Hernández de Toledo foi um médico e botanista espanhol, que obteve o seu título na Universidade de Alcalá de Henares. Foi o primeiro a estudar a matéria médica americana, viajando até ao continente descoberto por Cristóvão Colombo. Em 1567 Hernández tornou-se médico pessoal do Rei Filipe II – o monarca mostrou desde cedo interesse pela nova flora, iniciando o cultivo de uma secção de plantas medicinais no Jardim de Aranjuez, na segunda metade do século XVI.

Depois, partiu para México para uma investigação que durou sete anos (1571-1578), onde investigou cerca de 4 mil plantas mexicanas.

A sua dedicação em ajudar a gerar uma taxonomia precoce para as plantas do Novo Mundo permitiu a sua utilização na Europa. Uma vez que a terminologia botânica pré-existente era tão limitada, o autor utilizou nomes nativos (principalmente Nahuatl) ao classificar as plantas. Utilizou também categorias de nomes nativos, comparação com plantas do Velho Mundo, ou uma combinação destas duas, em vez das categorias tradicionais de árvores, arbustos e ervas.

O texto original de Hernández acabou por desaparecer durante um incêndio no Escorial em 1671, tendo sido resumido pelo napolitano Nardo Antonio Recchi.

 

[1] [1] Dias, J. P. S. (2010). Até que as luzes os separem. Hipócrates e Galeno na literatura médico-farmacêutica portuguesa dos séculos XVII e XVIII. Revisitar os saberes. Referências clássicas na cultura portuguesa do Renascimento à época Moderna, 77-88.

[2] https://www.jardineiro.net/plantas/canafistula-peltophorum-dubium.html

[3] http://www.unirio.br/ccbs/ibio/herbariohuni/mirabilis-jalapa-l

[4] https://revistajardins.pt/conheca-a-planta-do-tabaco/

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