A obra de Paracelso e o seu impacto na História da farmácia

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A obra de Paracelso e o seu impacto na História da farmácia

A História da farmácia surge considerando o passado de prestígio associado àquilo que é a farmácia e as ciências farmacêuticas. Atualmente, a farmácia é um presente imprescindível à ciência e a sociedade, bem como a perspetiva de um futuro relevante aos desafios da sociedade moderna.

Naquilo que é o cronograma histórico, e como resultado da reforma religiosa que tinha como missão a cura das almas, muitos autores protestantes, ligados às áreas médicas e farmacêuticas, entenderam tratar-se de uma prioridade proceder à reforma da medicina – neste caso, para a cura dos corpos. A primeira corrente médica europeia neste sentido é desenvolvida no século XVI com Paracelso (1493-1541)[1].

 

Paracelsus (Paracelso)

No final da Idade Média, com o Renascimento, regista-se uma contribuição muito importante para a História. Trata-se de Phillipus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim (1493-1541), famoso médico e alquimista, físico e astrólogo suíço. O nome “Paracelso” foi adotado em 1529, significando “acima de Celso”. A educação de Paracelso foi mais prática e mística do que era normal num médico do seu tempo. Com o pai aprendeu a medicina, a botânica, a mineralugia, a metalurgia e a filosofia natural.

Paracelso, ainda que se mantivesse formalmente como católico, desenvolveu uma visão radical, reformista e profética da religião. Para o autor, a salvação encontrava-se na descoberta das marcas da presença de Deus no mundo natural, e na fé popular.

 

A obra de Paracelso

A filosofia química de Paracelso, bem como o seu pensamento médico e filosófico, é constituída por um conjunto de várias ideias base. A primeira é a recusa da teoria humoral como paradigma da saúde e da doença, sendo substituída por uma filosofia natural de base química. Paracelso não negou a existência dos quatro humores e dos quatro elementos clássicos (Fogo, Ar, Água e Terra), mas deu-lhes um papel inteiramente acessório em relação a três outros elementos ou substâncias primárias: o Sal, o Enxofre e o Mercúrio.

Paracelso é responsável pela teoria das assinaturas, exposta em detalhe na obra Phytognomonica (1588) de Giambattista della Porta (1538-1615). Aqui consta que a Terra, como palco de Deus, encontrava-se repleta de animais, vegetais e minerais úteis para o homem e para o tratamento das suas doenças. Segundo o autor, um fruto com a forma de um coração, por exemplo, teria a sua utilidade para doenças cardíacas. Um outro fruto, com a forma de um fígado, seria designado para a resolução de doenças hepáticas.

 

Em 1567, após o falecimento de Paracelso, é publicada a obra “On the Miners’ Sickness and Other Diseases of Miners”. Este livro lançou uma das bases da Química e da Farmacologia pela inédita ideia de que certas doenças do corpo tinham remédios específicos que pudessem curá‐las. Paracelso foi apoiado por Jan Baptist van Helmont (1579‐1644) que defendia a existência de agentes químicos específicos das doenças. Desta forma, surge o conceito da cura das doenças através da aplicação de substâncias químicas, ou seja, a iatroquímica.

 

[1] Dias, J. P. S. (2010). Até que as luzes os separem. Hipócrates e Galeno na literatura médico-farmacêutica portuguesa dos séculos XVII e XVIII. Revisitar os saberes. Referências clássicas na cultura portuguesa do Renascimento à época Moderna, 77-88.

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